Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou. Êxodo 20:8-11
Os físicos sintetizaram três leis da termodinâmica. A segunda lei afirma que todos os sistemas da natureza mostram um movimento invariável rumo à desintegração, à desordem e à perda de energia. os cientistas o chamam de princípio da entropia.
A Criação envolveu precisamente o oposto. Através de processos bioquímicos e físicos de imensa complexidade, Deus transformeou um planeta caótico num mundo de ordem. Quando Ele disse que tudo era “muito bom”, foi porque a turbulência havia acabado, a desordem fora vencida, o caos se fora e a Terra toda era uma simbiose pacífica em todas as suas diferentes partes e relações. Cada pormenor da Criação foi designado a servir aos outros. A uma voz, todas as coisas testificavam do amor e da infinita sabedoria de Alguém que havia planejado e trazido tudo à existência.
Muitas vezes parece que a segunda lei da termodinâmica está tentando se impor na minha vida, e que o princípio da desordem vai vencer. Por várias vezes lembrei-me de uma experiência de quando era uma criança, quando uma de minhas irmãs mais velhas me levou à ilha de Itaparica era um dia chuvoso, violentas rajadas de vento faziam a chuva bater contra o navio com uma intensidade que parecia que ia quebrar as janelas. As ondas davam com muita força no navio, que o chacoalhava parecendo um joão bobo. Eu chorava, pois a cada balançada dava pra ver o mar nas janelas laterais, parecia que iamos virar. Não dava para conversar, mas dava pra ouvir algumas orações, gemidos e até mesmo palavrões dos outros passageiros. Quando me lembro desta experiência, chego a pensar que aquela viagem tempestuosa seria uma realidade permanente em minha vida.
Acredito que o apóstolo Paulo tenha sentido algo semelhante quando confessou:
“Não faço o que gostaria de fazer. Pelo contrário, faço justamente aquilo que odeio. … Não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é o que eu faço. … Dentro de mim eu sei que gosto da Lei de Deus. Mas vejo uma lei diferente agindo naquilo que faço, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo” (Romanos 7:15-23, NTLH).
Com total honestidade, o grande apóstolo admite que ele é um ser humano perfeitamente normal e que as tormentas espirituais são uma realidade na sua vida assim como o são para cada um de nós. Essa é uma experiência para poucos mas, que todo ser humano convencido da necessidade de mudançae aperfeiçoamento, embora se encontre preso a um combate mortal com velhos hábitos e paixões pode entender e apreciar.
Estamos condenados a sempre navegar em meio a um temporal implacavel? Não. namesma passagem, o apóstolo indica onde encontrar o porto:
“Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”, exclama ele (Rom. 7:25). “Agora, pois, já nehuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:1 e 2).
A relação de idéias que aparece no pronunciamento final de Deus ao encerrar-se o relato da Criação não ocorre por acaso. O texto diz:
- Deus viu que tudo era muito bom, e então
- descansou.
Está claro que o descanso do Criador nada tem a ver com fadiga. É o descanso que vem quando a ordem toma o lugar do caos. É paz que aparece após a tormenta. Deus viu que a Terra estava em repouso, e então descansou.
Adão aceitou que Deus reralmente havia feito uma provisão para ele na obra perfeita da criação, e mostrou essa aceitação descansando no sábado. Os cristãos se unem a ele para comemorar a bondade e a amorosa providência de Deus na Criação. E nossa fé em Jesus acrescenta uma nova e gloriosa dimensão a tudo isso. Como indica a passagem de Hebreus 4, o repouso do sábado agora significa que aceitamos que Cristo realmente alcançou para nós a salvação na cruz do Calvário.
Essa relação de fé e confiança em Deus, simbolizada e aprofundada quando descansamos no sétimo dia, é “a paz de Deus, que excede todo o entendimento” (Filipenses 4:7). É o descanso desfrutado por todos os que estão “em Cristo Jesus”. Não mais necessitam ser jogados daqui para lá num mar de problemas e ansiedades. Podem entrar no porto e encontrar paz e descanso.
Adaptado do livro Os Dez Mandamentos de Loron Wade.